// aula 01 · HTML · História
A origem — um cientista do CERN
Tudo começa em 1989 no CERN — o maior laboratório de física de partículas do mundo, na Suíça. Um cientista britânico chamado Tim Berners-Lee estava frustrado com um problema clássico: os pesquisadores do mundo inteiro precisavam compartilhar documentos entre si, mas cada computador usava sistemas diferentes e incompatíveis.
Sua proposta chamada "Information Management: A Proposal" descrevia um sistema baseado em hipertexto — documentos que pudessem se referenciar entre si através de links, independente do sistema operacional. Seu chefe na época escreveu na proposta: "Vague, but exciting" (Vago, mas empolgante). E aprovou.
O HTML foi inspirado no SGML (Standard Generalized Markup Language), uma linguagem de marcação usada pela indústria editorial desde os anos 1960. Berners-Lee pegou os conceitos de marcação de documentos e adicionou o conceito de hiperlinks — a grande inovação que diferenciou o HTML de tudo que existia antes.
A linha do tempo do HTML
1991 — CERN, Suíça
Em agosto de 1991, Tim Berners-Lee publicou a primeira página web da história em info.cern.ch — ela ainda existe e pode ser visitada até hoje. O HTML original tinha apenas 18 tags, focadas em estrutura básica de documentos: títulos, parágrafos, listas e links.
Não havia imagens, não havia cores, não havia formatação visual. Era texto puro com estrutura — mas era o suficiente para revolucionar como a humanidade compartilhava informação.
1995 — IETF
A primeira versão com especificação formal, publicada pelo IETF (Internet Engineering Task Force). Introduziu suporte a imagens, tabelas e formulários — o que permitiu páginas mais ricas e a interação do usuário com a web. Foi a base sobre a qual a web comercial foi construída.
1997 → 1999 — W3C
Os anos 90 foram marcados pela "Guerra dos Browsers" entre Netscape e Internet Explorer. Cada empresa adicionava tags proprietárias ao HTML para diferenciar seu browser, criando um caos de incompatibilidade.
O W3C tentou padronizar com o HTML 3.2 (1997) e HTML 4.01 (1999), introduzindo CSS como separação entre estrutura e estilo — uma ideia fundamental que ainda usamos hoje.
2000 — W3C
O W3C decidiu reescrever o HTML seguindo as regras rígidas do XML, criando o XHTML. A ideia era forçar os desenvolvedores a escrever código limpo e correto. O problema: qualquer erro quebrava a página inteira. A comunidade odiou e começou a buscar alternativas.
2004 — Rebelião da comunidade
Frustrados com o rumo do W3C, desenvolvedores da Apple, Mozilla e Opera fundaram o WHATWG (Web Hypertext Application Technology Working Group). Seu objetivo: criar um HTML prático, compatível com o passado e orientado para aplicações web reais. Esse trabalho se tornaria o HTML5.
🍎 Apple🦊 Mozilla⚡ Opera2014 — W3C + WHATWG
Finalizado em 2014, o HTML5 revolucionou a web. Introduziu elementos semânticos (<header>, <nav>, <article>, <footer>), suporte nativo a vídeo e áudio sem plugins, o elemento <canvas> para gráficos, APIs de geolocalização, armazenamento local e muito mais.
O Flash, que dominava multimídia na web por anos, ficou obsoleto. O HTML5 tornou a web uma plataforma de aplicações real — capaz de competir com apps nativos.
Hoje — Padrão vivo
Desde 2019, o WHATWG é o responsável único pelo padrão HTML. Diferente das versões antigas, não há mais "HTML 6" — o HTML é um padrão vivo que evolui continuamente. Novas funcionalidades são adicionadas de forma incremental, garantindo compatibilidade com tudo que já existe na web.
Curiosidades
A primeira página web publicada em 1991 no endereço info.cern.ch ainda está online e pode ser visitada. Era um documento de texto explicando o que era a World Wide Web.
Tim Berners-Lee nunca patenteou o HTML. Ele convenceu o CERN a liberar a tecnologia da web para o domínio público em 1993. Essa decisão é considerada uma das mais importantes da história da tecnologia.
O HTML original tinha apenas 18 elementos. O HTML5 atual tem mais de 140 tags — embora nem todas sejam suportadas por todos os browsers modernos.
HTML significa HyperText Markup Language. "HyperText" é o texto com links — o conceito central que diferencia a web de qualquer mídia anterior. "Markup" (marcação) é a ideia de anotações no texto que definem sua estrutura.